Rogério Machado
Camboja
| 13/12/2011Uma fábrica de Tuk-Tuk
Visitamos no Camboja uma das tradicionais fábricas de veículos alternativos do país.
- Texto: Rogerio Machado
- Fotos: Rogério Machado
O termo Tuk-Tuk é aplicado a diversos tipos de veículos alternativos nos países em desenvolvimento tanto com duas ou três rodas. Por aqui parece que somente a moto taxi vingou, ou foi aprovada pela legislação. Na Ásia, longe das proibições e em função da carência das populações o Tuk-Tuk foi diversificado de acordo com o bolso de cada país. Pista de Testes visitou uma fábrica "tradicional" destes veículos alternativos no Camboja, veja como foi.
O patrimônio histórico dos países asiáticos é gigantesco e em muitos deles a baixa renda per capta leva à busca de profissões que possam atender a demanda dos turistas nas áreas urbanas e suburbanas. É o caso do Camboja na região de Siem Reep, aonde se concentram os templos da civilização Angkor.
O sistema viário é precário e isto contribui com a proliferação de transportes alternativos de pequeno porte, os famosos Tuk-Tuk. Os cambojanos optaram por uma variação deste transporte que é formado por uma motocicleta de baixa cilindrada (até mesmo scooters de 100cc são utilizados) que reboca uma plataforma de duas rodas normalmente dotada de uma cabine com teto e cortinas plásticas nas laterais (exceto as carrocerias de carga).
A topografia é bastante favorável e as motos dão conta da carga. Os bancos seguem o lay-out vis-a-vis no qual dois assentos com capacidade para dois passageiros em cada um são colocados frente à frente. O engate fica na parte posterior do banco da motocicleta e quando em movimento a motocicleta pode ser articulada normalmente nas curvas, sem comprometer o reboque. Fomos até uma fábrica "conceituada" desses reboques já que a motocicleta somente recebe o acréscimo do engate e embora o proprietário não falasse inglês o nosso tradutor conseguiu facilitar a comunicação.
A cultura do fabricante provém da produção de carroças com tração animal e humana portanto os atuais reboques são literalmente carroças ou riquichás adaptados para serem engatados em motocicletas. A maior diferença é que as duas barras que deveriam servir para atrelar a um cavalo foram transformadas em uma para o engate à motocicleta. O fabricante nos explicou que a suspensão original era mais rígida e com a maior velocidade alcançada pelas motos ele trabalhou gradativamente nas molas, favorecendo o conforto e estabilidade. O processo de produção, embora não apresente uma linha de montagem, é seqüenciado e à medida que caminhamos pela pequena "fábrica" pudemos notar as várias fases desde a construção do reboque de madeira até a montagem dos componentes da suspensão e pintura final.
Todo o processo é bastante simples e após concluída a montagem os reboques são testados na própria rua à frente. A garantia é um ponto forte e o fabricante se coloca à disposição para qualquer solda adicional ou mesmo retoque na pintura dos seus produtos.
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