Na Trilha

Kombi

| 30/11/2011

Nem Freud explica

Lendária, esquisita e prática, a Kombi é o primeiro modelo que a VW produziu no Brasil. O furgão chega à marca impressionante de 1.500.000 unidades produzidas.

  • Texto: Guilherme Lages
  • Fotos: Divulgação Volks

Existem veículos no mercado que impressionam. A Kombi certamente está no topo dessa lista. Como um projeto tão antigo, que evoluiu tão pouco, consegue ter uma carreira tão bem-sucedida? Um segredo que pode estar na versatilidade do transporte de cargas e passageiros com baixo custo de manutenção. Difícil explicar.

Ainda assim, o motivo é de comemoração para a Volkswagen. A marca anunciou esta semana a produção da Kombi nº 1.500.000, em 54 anos de atividade. O furgão é o veículo de maior longevidade na história da indústria automotiva mundial e no Brasil, foi o primeiro Volkswagen a ser produzido.

Atualmente, o famoso "pão-de-forma" está disponível nas versões Standard, Furgão, Escolar e Lotação e tem preços de veículos top de linha: vai de R$ 44.270 a impressionantes R$ 57.390. Só para efeito de comparação, um Fiat Fiorino não passa de R$ 38.000.

Mas o motivo aqui é outro. É comemorar.

A Kombi é produzida na fábrica da Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP) e foi apresentada em 1957 e no ano de lançamento vendeu 370 unidades. Chegou em boa hora ao país e com cinco anos de mercado, o furgão já acumulava 41.083 unidades vendidas.

Sucesso no país, o marco de 500.000 unidades comercializadas foi alcançado em junho de1977 e em 1995 foi vendida a unidade de número 1.000.000 da Kombi. "A Kombi não tem concorrentes diretos no mercado nacional, pois não há maneira mais barata e eficiente de se transportar uma tonelada de carga coberta", afirma Marcelo Olival, gerente-executivo de Vendas e Marketing de Comerciais Leves da Volkswagen do Brasil.

TRAJETÓRIA

A Kombi foi idealizada pelo holandês Ben Pon na década de 40, que pretendia incluir o confiável conjunto mecânico do Fusca em um veículo leve de carga. A produção do modelo começou na Alemanha em 1950. O destaque era a carroceria monobloco, a suspensão reforçada e o motor traseiro, refrigerado a ar, de 25 cv.

Em 1957 foram fabricadas as primeiras unidades no Brasil. Com um índice de nacionalização de 50%, a Kombi tinha motor de 1.200 cm³ de cilindrada. Menos de quatro anos mais tarde chegou ao mercado o modelo de seis portas, nas versões luxo e standard, com transmissão sincronizada e índice de nacionalização de 95%. A versão pick-up surge em 1967, já com motor de 1.500 cm³ e sistema elétrico de 12 volts.

A trajetória internacional da Kombi se inicia com a história das exportações da Volkswagen do Brasil nos anos 70 para mais de 100 países. Os principais mercados externos da Kombi foram Argélia, Argentina, Chile, Peru, México, Nigéria, Venezuela e Uruguai.

No Brasil, em 1975, com uma reestilização, a Kombi passa a ser equipada com o motor 1.6L e, três anos mais tarde, o modelo ganha dupla carburação. O motor diesel 1.6, refrigerado a água, surgiu em 1981, mesmo ano do lançamento das versões furgão e pick-up com cabine dupla. No ano seguinte surge o modelo a álcool e em 1983 a Kombi apresenta painel e volante novos, além da alavanca do freio de mão, que sai do assoalho e passa para debaixo do painel.

As versões a diesel e cabine dupla incorporaram novidades e itens de conforto como cintos de segurança de três pontos, bancos dianteiros com encosto de cabeça, temporizador para o limpador do para-brisa, entre outros. Ambas deixaram de ser produzidas em 1985. Sete anos depois a Kombi ganhou conversores catalíticos de três vias, sistema servo-freio, incluindo discos na frente e válvulas moduladoras de pressão para as rodas traseiras.

Uma versão mais moderna chegou em 1997 com o nome de Kombi Carat, apresentando novas soluções, como teto mais alto, porta lateral corrediça e a ausência da parede divisória atrás do banco dianteiro. As mudanças foram realizadas sem abrir mão da versatilidade e da economia exigidas por seus fiéis consumidores.

No final de 2005, a Kombi passou a ser equipada com o motor 1.4 Total Flex (arrefecido a água), até 34% mais potente e cerca de 30% mais econômico do que o antecessor refrigerado a ar. Com o novo motor, a Kombi desenvolve potência de 78 cv quando abastecido com 100% de gasolina e 80 cv, com 100% a etanol. 

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